Terapia para autocobrança e perfeccionismo
Para quem sente que nunca é o bastante, que errar é inaceitável e que descanso precisa ser merecido. Dá para continuar querendo fazer bem feito, sem viver em guerra consigo.
Atendimento
Individual, online, por videochamada
Para quem
Mulheres adultas, no Brasil e no exterior
Abordagem
Integrativa, com base na Terapia Cognitivo-Comportamental
Psicóloga
Danielly Arcoverde · CRP 02/22887
Talvez você se reconheça
-
Eu me cobro por tudo, o tempo todo.
-
Quando alguma coisa dá certo, já penso no que poderia ter sido melhor.
-
Descansar me dá culpa.
-
Prefiro nem começar do que fazer mal feito.
-
Falo comigo de um jeito que nunca falaria com alguém que amo.
Se alguma dessas frases soou familiar, saiba que você não está exagerando. É algo que pode ser compreendido e trabalhado.
Em resumo
- Autocobrança é a exigência que você faz a si. Ela vira problema quando fica rígida, constante e quando o seu valor passa a depender do desempenho.
- O perfeccionismo está ligado a ansiedade, sintomas depressivos e problemas alimentares, e costuma se manter por evitação, checagem e autocrítica.
- Na terapia, a ideia não é largar seus objetivos, e sim correr atrás deles sem violência consigo, com regras mais flexíveis e uma relação mais gentil com você.
O que é autocobrança
Autocobrança é a exigência que uma pessoa faz a si mesma sobre o próprio desempenho, o comportamento e o jeito de ser. Na medida certa, ela sustenta compromisso e responsabilidade. Em excesso, transforma a vida numa sequência de provas.
Quem vive com autocobrança excessiva costuma ter uma voz interna que aponta falhas, compara e antecipa julgamentos. Muitas vezes, essa voz foi aprendida cedo, em contextos em que a aceitação parecia depender de corresponder às expectativas. E ela se mantém porque, em algum momento, trouxe resultados.
O problema é o preço: ansiedade, cansaço, dificuldade de descansar sem culpa e a sensação de nunca estar à altura.
O que é perfeccionismo
Perfeccionismo, no sentido clínico, é a busca persistente por padrões muito exigentes, impostos a si mesmo, mantida apesar das consequências negativas, com a autoavaliação dependendo em grande parte de alcançá-los (Shafran, Cooper e Fairburn, 2002).
A questão não é querer fazer bem feito. É a rigidez e o peso que o desempenho ganha na forma como você se vê. A meta alcançada perde o valor em segundos, o erro parece prova de que você não dá conta e o olhar vai sempre para o que faltou.
As pesquisas mostram que o perfeccionismo atravessa várias dificuldades emocionais, como ansiedade, sintomas depressivos e problemas alimentares (Egan, Wade e Shafran, 2011). E ele vem aumentando: uma meta-análise com universitários dos Estados Unidos, do Canadá e do Reino Unido encontrou níveis cada vez maiores entre as gerações estudadas de 1989 a 2016 (Curran e Hill, 2019).
Como isso aparece no dia a dia
- dificuldade de comemorar conquistas, que logo parecem "não ser grande coisa";
- revisar, conferir e refazer as coisas muitas vezes;
- adiar o começo de algo por medo de não fazer bem o suficiente;
- o pensamento "tudo ou nada": ou ficou perfeito, ou foi um fracasso;
- dificuldade de delegar ou de pedir ajuda;
- culpa ao descansar, como se o tempo livre precisasse ser merecido;
- comparação o tempo todo com outras pessoas;
- uma crítica interna dura, num tom que você nunca usaria com alguém de quem gosta.
Nada disso é diagnóstico. São sinais de que a exigência deixou de ser uma aliada.
Quando a exigência vira guerra consigo
Muita gente tem medo de que, se parar de se cobrar, vai deixar tudo de lado. Então segue tentando mudar na base da crítica e da ameaça. Funciona por um tempo, mas costuma gerar um ciclo de esforço, esgotamento e culpa.
Eu costumo dizer que quem vive em guerra consigo não consegue construir uma vida em paz. A saída não é a indiferença. É uma relação mais cuidadosa consigo, o que a psicologia estuda como autocompaixão: tratar a si com gentileza diante das falhas, lembrar que errar faz parte da experiência humana e olhar para o próprio sofrimento sem aumentá-lo nem fingir que ele não existe (Neff, 2003).
E autocompaixão não é "passar a mão na cabeça". Uma meta-análise de ensaios clínicos encontrou benefícios de intervenções de autocompaixão em diferentes indicadores de saúde mental (Ferrari e colaboradores, 2019). Na prática, ela deixa você olhar para os próprios erros com honestidade, sem que isso vire um ataque.
Como eu trabalho isso na terapia
Entender de onde vem a cobrança
A gente investiga de onde vêm as regras que você segue, o que elas tentam proteger e quanto custam hoje. A Terapia do Esquema ajuda a reconhecer padrões antigos, como a sensação de que é preciso atender a padrões altíssimos para ter valor.
Flexibilizar as regras
Com a Terapia Cognitivo-Comportamental, identificamos as regras internas ("não posso errar", "se não for perfeito, não vale") e testamos, na prática, o que acontece quando você as afrouxa um pouco.
Diminuir o que mantém o ciclo
Aos poucos, reduzimos a conferência excessiva, a evitação e a procrastinação que vêm do medo de errar, e ampliamos o que dá valor à sua vida além do desempenho.
Trocar a crítica por cuidado
Desenvolvemos uma voz interna mais justa, com práticas de autocompaixão e atenção plena, para que errar não signifique se atacar.
Escolher pelo que importa
Com recursos da Terapia de Aceitação e Compromisso, você aprende a diferenciar o que faz por medo do que faz porque é importante para você.
O que esperar
A ideia não é baixar a régua a qualquer custo nem abrir mão das suas ambições. É tornar o caminho sustentável, para que o esforço deixe de ser feito contra você. Essas mudanças costumam ser graduais: primeiro você passa a perceber a cobrança, depois começa a responder a ela de outro jeito.
Referências
- Shafran, R., Cooper, Z., & Fairburn, C. G. (2002). Clinical perfectionism: A cognitive-behavioural analysis. Behaviour Research and Therapy, 40(7), 773–791. doi.org/10.1016/s0005-7967(01)00059-6
- Egan, S. J., Wade, T. D., & Shafran, R. (2011). Perfectionism as a transdiagnostic process: A clinical review. Clinical Psychology Review, 31(2), 203–212. doi.org/10.1016/j.cpr.2010.04.009
- Curran, T., & Hill, A. P. (2019). Perfectionism is increasing over time: A meta-analysis of birth cohort differences from 1989 to 2016. Psychological Bulletin, 145(4), 410–429. doi.org/10.1037/bul0000138
- Neff, K. D. (2003). Self-compassion: An alternative conceptualization of a healthy attitude toward oneself. Self and Identity, 2(2), 85–101. doi.org/10.1080/15298860309032
- Ferrari, M. et al. (2019). Self-compassion interventions and psychosocial outcomes: A meta-analysis of RCTs. Mindfulness, 10(8), 1455–1473. doi.org/10.1007/s12671-019-01134-6
- Young, J. E., Klosko, J. S., & Weishaar, M. E. (2003). Schema therapy: A practitioner’s guide. New York: Guilford Press.
Conteúdo de responsabilidade de Danielly Arcoverde, Psicóloga (CRP 02/22887). Atualizado em . As informações têm caráter educativo e não substituem uma avaliação individual.
Perguntas que costumam aparecer
Autocobrança é sempre ruim?
Não. Querer fazer bem feito e ter compromisso com o que importa são qualidades. A autocobrança vira problema quando fica rígida e constante, quando errar parece inaceitável e quando o seu valor passa a depender do seu desempenho.
Qual é a diferença entre ter padrões altos e ser perfeccionista?
Quem tem padrões altos e flexíveis se esforça, mas consegue ajustar as metas e reconhecer o que fez. No perfeccionismo, os padrões são rígidos, o foco fica no que faltou e a autoestima depende de alcançá-los, mesmo quando isso faz sofrer.
Perfeccionismo tem a ver com ansiedade?
Tem. As pesquisas mostram que o perfeccionismo aparece ligado a várias dificuldades emocionais, como ansiedade, sintomas depressivos e problemas alimentares (Egan e colaboradores, 2011).
Se eu me cobrar menos, não vou perder a motivação?
Esse medo é muito comum. A proposta não é largar seus objetivos, e sim mudar o jeito de correr atrás deles: menos ameaça e crítica, mais clareza e cuidado. Muita gente descobre que consegue se dedicar com mais constância quando para de se tratar com tanta dureza.
Perfeccionismo e procrastinação têm relação?
Muitas vezes, sim. Quando a régua está alta demais, começar uma tarefa dá medo de não dar conta, e adiar vira um jeito de fugir desse desconforto. Por isso, trabalhar a autocobrança costuma ajudar também com a procrastinação.
Temas que costumam andar junto com este
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